TEXTO I
A dúvida não é a ausência de conhecimento. É antes uma inquietação que quer ser apaziguada, como quando nos interrogamos se deixamos, ou não, a luz da casa ligada. Mas, para Descartes, não é esta dúvida mundana que interessa: toda a realidade pode ser uma grande dúvida, um sonho criado por um génio maligno que não permite que acordemos. A existência, para este filósofo, apresenta-se como puro pensamento. Quando este desaparece, quando deixamos de duvidar e de pensar, deixamos de existir.
O problema posto por Descartes é sobre a capacidade humana de alcançar a verdade, não como um atributo divino, distante do comum mortal, mas como uma característica de toda a humanidade. Com esse objectivo, encontra uma forma metódica de aplicar a dúvida, que com base no processo matemático, torna possível ao homem distinguir o falso do verdadeiro. Só assim é possível obter o conhecimento de forma segura e fácil e chegar ao ponto mais alto a que se pode chegar: o domínio sobre o mundo e a sabedoria da vida.
Mas encontrar um método que seja um guia seguro da investigação de todas as ciências, para Descartes, só é possível através de uma crítica radical de todo o saber. Duvidar de tudo e considerar tudo provisoriamente falso até se chegar a um princípio sólido sobre o qual já não seja possível a dúvida e que possa servir de fundamento a outros conhecimentos.
Então, eu que penso e que me posso enganar ou ser enganado ou mesmo duvidar da própria realidade, devo necessariamente ser qualquer coisa e não nada. Por isso “cogito, ergo sum” (penso, logo existo) é a única proposição absolutamente verdadeira porque a própria dúvida a confirma. Não posso afirmar nada sobre, por exemplo, um corpo onde eu exista, apenas existo como uma coisa que duvida, isto é: que pensa.
O “cogito” (penso) é uma relação do eu consigo mesmo, um princípio que tem como ponto de partida problematizar qualquer outra realidade e que ao mesmo tempo permite justificá-la. É este o princípio inabalável de Descartes, sobre o qual não se pode duvidar mais.
Disponível em: https://ensina.rtp.pt/artigo/a-duvida-metodica-de-descartes-penso-logo-existo/
TEXTO II
“Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e setas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim?
Morrer… dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir… é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir… Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.”
William Shakespeare – Trecho “Hamlet”
PROPOSTA
Com base nos textos de apoio, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “Qual o papel da dúvida na busca por autoconhecimento?”, tendo em vista os seguintes aspectos:
• Redija seu texto obedecendo a modalidade culta da língua portuguesa;
• utilize argumentos e fatos para fundamentar seu ponto de vista;
• consulte seu edital para dissertar de acordo com o número de linhas exijido pela banca avaliadora; e
• dê um título ao texto, caso essa seja uma exigência do seu edital.
