TEXTO I
Do ponto de vista mental, a psicóloga Silvia de Oliveira explica que uma pessoa performática é aquela que passa a medir seu valor pessoal a partir do que faz e do que entrega. “A identidade começa a ser baseada na produtividade, nos resultados e na aprovação dos outros. Aos poucos, o ‘ser’ fica condicionado ao desempenho, e existir sem produzir pode gerar angústia”, afirma. Nesse cenário, descansar passa a causar culpa, errar vira algo inaceitável e o reconhecimento se transforma em uma espécie de recompensa emocional.
Para Eliana Farias, coordenadora do curso de psicologia do Centro Universitário Braz Cubas, vivemos uma grande mudança na forma como nos relacionamos e nos enxergamos. Segundo ela, saímos de uma sociedade em que as regras vinham de fora para uma em que a cobrança vem de dentro. “Hoje, a pessoa se autoexige o tempo todo. Ser produtivo virou sinônimo de ser uma pessoa ‘boa’, enquanto descansar parece perda de tempo”, explica.
Disponível em: https://agazetadoamapa.com.br/colunista/existir-transformou-se-em-performance/
TEXTO II

TEXTO III
Vivemos em uma sociedade que nos cobra sermos felizes o tempo todo, como se a vida fosse uma vitrine. Nas redes sociais, sorrimos, mostramos conquistas, exibimos filtros e escondemos imperfeições. Mas quem somos além da imagem que projetamos? O que existe por trás desse reflexo no espelho?
Ainda que alguns tentem se proteger dizendo: “Não me importo com o que vão dizer, eu sou assim”, na prática, sustentar essa postura é desafiador. Muitas vezes, cedemos à pressão porque ser quem se é, com sua própria história e vulnerabilidades, exige esforço e coragem. Desagradar, perder a validação externa e quebrar expectativas não é nada fácil.
O problema é que muitas vezes ficamos aprisionados a uma imagem única, superficial, que precisa estar sempre perfeita. As redes sociais reforçam esse aprisionamento: o filtro, mais aceito do que o rosto real, transforma-se na nova “verdade”. Isso é insustentável. Alguém grava um vídeo e, ao se rever, pensa: “Estou feia, parecendo isso ou aquilo”. Mas está apenas se vendo como é. O problema é que, em algum ponto, ser quem se é deixou de ser suficiente. Então, repete-se a gravação, recorre-se a filtros, porque a imagem passou a valer mais do que a própria pessoa. Não é mais fake news, é o fake de si mesmo.
[Trecho]
Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/alessandra-aragao/2025/09/7239107-ser-ou-parecer-a-dura-batalha-entre-a-essencia-e-a-aparencia.html
PROPOSTA
Com base nos textos de apoio, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “A espetacularização da vida cotidiana: quando viver se torna uma performance”, tendo em vista os seguintes aspectos:
• Redija seu texto obedecendo a modalidade culta da língua portuguesa;
• utilize argumentos e fatos para fundamentar seu ponto de vista;
• consulte seu edital para dissertar de acordo com o número de linhas exijido pela banca avaliadora; e
• dê um título ao texto, caso essa seja uma exigência do seu edital.