A economia da atenção e seus impactos na autonomia do indivíduo na sociedade contemporânea

TEXTO I

O conceito de economia da atenção, visto com cada vez mais frequência na mídia e em estudos acadêmicos, se refere ao fato de que a atenção indica o fator de limite de atuação e de consumo dos indivíduos. Nestes tempos de sobrecarga de informação, apresenta-se como um objeto de investigação central e fundamental importância. Cada vez mais, a atenção se torna escassa por causa da necessidade de se lidar tanto com o volume massivo e que tende ao infinito de informações quanto com os danos causados à própria atenção em consequência desses excessos. Isso vem causando preocupação por toda parte, pelas consequências danosas que tem se mostrado capaz de causar.

Por causa do volume incalculável de informações sendo geradas diariamente e da impossibilidade de fazer a análise delas e das interações que elas geravam, a partir dos anos 2010 a indústria passou a empregar novas tecnologias para automatizar a coleta de dados online, o que gerou os chamados big data, ou grandes bancos de dados. O processamento dessa informação foi automatizado com o emprego de robôs online conhecidos como Inteligências Artificiais, que conseguiram superar as limitações que o volume trazia para esse tipo de tarefa. Essas tecnologias de gestão de conteúdo agregaram muito valor aos dados, o que permitiu novos modelos de negócios, mas, por outro lado, levou a uma sobrecarga de informações nos sistemas e nos indivíduos.

No modelo de negócios criado a partir desse cenário, essas tecnologias têm sido direcionadas para a crescente captura da atenção dos indivíduos, pois é a partir dela que se geram mais dados, em um modelo muito rentável de negócios. As plataformas coletam e processam os dados de seus usuários, e os vendem para usuários externos, como anunciantes ou governos, produzindo assim seu lucro. O modelo de negócios captura e monetiza a atenção das pessoas, no denominado Capitalismo de Vigilância, em processos opacos, não regulamentados, que não revelam sua natureza aos indivíduos e sobre os quais tampouco se sabe o quanto de dinheiro movimentam. Estima-se que o tamanho global da economia da atenção se situe na ordem de trilhões de dólares norte-americanos – só para os Estados Unidos, a estimativa é de 1,4 trilhão.

A respeito das preocupações com a economia da atenção, coloca-se, primeiramente, o poder sem precedentes das empresas big tech que têm o domínio sobre os enormes bancos de dados sobre os consumidores. A partir das informações que monopolizam hoje, elas são capazes de detectar e eliminar ameaças a sua hegemonia que estejam em estado ainda embrionário, consolidando seu poder e atrasando inovação e bem estar individuais. Elas também têm o poder de intermediar o engajamento cívico e influenciar o debate político. Em nível geral, a monetização da atenção se apoia sobre técnicas de maximização do engajamento de modo a fazer o indivíduo permanecer online e, assim, gerar cada vez mais dados para compor esses bancos de dados, responsáveis pelo lucro estratosférico que essas empresas obtêm. Essa maximização do engajamento gera efeitos colaterais bastante graves, que são examinados, no documento, em três frentes: social, ética e política.

Disponível em: https://diplomatique.org.br/economia-da-atencao-muito-alem-da-preocupacao-economica/

TEXTO II

Estão estraçalhando com a nossa atenção. Isso não é exatamente uma novidade. Ou você já notou o problema na prática – inclusive se perguntando se estaria enfrentando alguma questão cognitiva –, ou, dependendo do seu repertório, já leu sobre isso em algum lugar.

Diversos estudiosos das novas formas de comunicação vêm denunciando o nosso “foco roubado”, título de um livro de Johann Hari sobre o assunto. Ao investigar em profundidade por que a humanidade está perdendo a capacidade de prestar atenção, o jornalista britânico traça um panorama sombrio do massacre ao qual nosso foco vem sendo submetido.

A resposta está em grande medida na configuração das tecnologias de comunicação hoje – e seus modelos de negócio que precisam manter você o tempo todo rolando uma tela –, mas também em mudanças que vão da nossa alimentação, com as dietas processadas, até o ambiente de trabalho, que nos vende o mito de um cérebro multitarefas (saiba que não é). E inclui ainda uma infância com menos espaço para brincadeira e fantasia, além dos problemas no sistema educacional cuja meta é preparar bons concorrentes para os jogos vorazes do trabalho.

Mas existe um grupo de pensadores e ativistas que vai ainda mais longe: o problema começa já no conceito de atenção – utilitarista e voltado para o consumo – que nos é imposto. Para essa turma, “recuperar a atenção” não é voltar a ter mais tempo para consumir, nem para produzir, performando com eficiência no trabalho. A ideia é que a atenção, em seu grau mais alto, é o que nos torna humanos, empáticos, capazes tanto de sentar e chegarmos juntos a soluções para os grandes desafios de hoje, como a crise climática, quanto de florescer, e amar. Você não leu errado, nem este texto enveredou para o pieguismo de uma hora para outra. A essência mesma da atenção pode incluir tudo isso e muito mais. Para ser mais fácil de visualizar, pergunte-se o quanto um rolar infinito de uma tela com conteúdos sem importância já roubou das poucas horas ou minutos que você tem para prestar atenção, estar presente, com seus filhos, ou com seus pais?

Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/sua-atencao-nao-foi-perdida-ela-foi-roubada-por-que-a-forca-de-vontade-nao-basta/

PROPOSTA

Com base nos textos de apoio, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “A economia da atenção e seus impactos na autonomia do indivíduo na sociedade contemporânea”, tendo em vista os seguintes aspectos:

• Redija seu texto obedecendo a modalidade culta da língua portuguesa;

• utilize argumentos e fatos para fundamentar seu ponto de vista;

• consulte seu edital para dissertar de acordo com o número de linhas exijido pela banca avaliadora; e

• dê um título ao texto, caso essa seja uma exigência do seu edital.

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