TEXTO I
“A sociedade contemporânea é marcada por uma lógica de desempenho contínuo, na qual o indivíduo é constantemente instado a produzir, competir e superar limites. Nesse contexto, o fracasso deixa de ser compreendido como parte da experiência humana e passa a ser interpretado como responsabilidade individual. A pressão por resultados, aliada à instabilidade das relações sociais e profissionais, gera sentimentos recorrentes de inadequação, ansiedade e esgotamento. Assim, o sofrimento psíquico tende a ser tratado não como expressão de conflitos sociais mais amplos, mas como falha pessoal que precisa ser rapidamente corrigida.”
Disponível em: HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço.
Petrópolis: Vozes, 2017.
TEXTO II
“A medicalização refere-se ao processo pelo qual experiências humanas comuns passam a ser interpretadas e tratadas como problemas médicos. Tristeza, angústia, medo e frustração, que historicamente integravam a vida social, vêm sendo progressivamente enquadrados como distúrbios a serem eliminados. Esse fenômeno é intensificado por uma cultura que valoriza o bem-estar permanente e rejeita o sofrimento como algo legítimo. Como resultado, amplia-se o recurso a intervenções farmacológicas para lidar com questões que, muitas vezes, possuem raízes sociais, econômicas e existenciais.”
Disponível em: ILLICH, Ivan. A Expropriação da Saúde: Nêmesis da Medicina.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.
TEXTO III
“O homem contemporâneo vive uma crise de sentido marcada pela dificuldade de encontrar significado duradouro em suas experiências. A fragmentação dos vínculos sociais, a aceleração do tempo e a centralidade do consumo contribuem para um sentimento de vazio existencial. Nesse cenário, cresce a busca por soluções imediatas que aliviem o mal-estar, ainda que não enfrentem suas causas profundas. A ausência de espaços de escuta, reflexão e elaboração do sofrimento tende a reforçar estratégias de fuga, em vez de processos de compreensão de si e do mundo.”
Disponível em: FRANKL, Viktor. Em Busca de Sentido.
Petrópolis: Vozes, 2008.
PORPOSTA
Com base nos textos de apoio, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “O consumo de psicofármacos como resposta às crises do sujeito moderno”, tendo em vista os seguintes aspectos:
• Redija seu texto obedecendo a modalidade culta da língua portuguesa;
• utilize argumentos e fatos para fundamentar seu ponto de vista;
• consulte seu edital para dissertar de acordo com o número de linhas exijido pela banca avaliadora; e
• dê um título ao texto, caso essa seja uma exigência do seu edital.
