TEXTO I
As instituições e a sociedade brasileira têm reconhecido, de forma justa e reparadora, a memória dos mais de 4 milhões de africanos escravizados que aqui chegaram em mais de três séculos de vigência do sistema escravocrata, bem como de seus descendentes? As decisões políticas e institucionais tomadas ao longo do tempo sobre a região da Pequena África, no Rio de Janeiro, por exemplo, não endossam positivamente o questionamento posto acima.
A região do Cais do Valongo, considerado o maior porto de desembarque de africanos escravizados das Américas e o segundo maior ponto de origem dos navios negreiros do mundo, passou por dois momentos de apagamento de memória e gentrificação: (I) em 1834, quando se transforma no Cais da Imperatriz, em razão da chegada da futura imperatriz Tereza Cristina; e (II) em 1911, quando as reformas urbanísticas do prefeito Pereira Passos aterram o Cais do Valongo para a construção da Praça do Comércio.
Embora o direito à memória esteja expressamente previsto no artigo 216 da Constituição Federal, o desinteresse das instituições brasileiras em fomentar a construção de lugares de memória que efetivamente reconheçam e valorizem a história negra e sua resistência secular é validado por exemplos mais atuais, como (I) a “descoberta” do Cemitério dos Pretos Novos, no bairro da Gamboa, no Rio, e a criação do Instituto de mesmo nome, que desenvolve projetos e investigações arqueológicas a fim de valorizar a memória e a identidade cultural brasileira em diáspora sem qualquer subsídio de ordem estatal, ou, ainda, e (II) o abandono às ruínas da casa de Machado de Assis, localizada no Morro do Livramento.
Hannah Arendt cita que “a memória (…) é impotente fora de um quadro de referências preestabelecido, e somente em raríssimas ocasiões a mente humana é capaz de reter algo inteiramente desconexo (…)”. A memória, portanto, está intrinsecamente relacionada à identidade, seja ela individual ou social, e a preservação deste direito constitucional é essencial para a continuidade histórica de um povo.
O silenciamento e o apagamento histórico são cúmplices da amnésia coletiva que paira sobre a sociedade brasileira. Ante a ausência de políticas que endereçam o assunto, iniciativas como as Comissões Nacionais da Verdade da Escravidão Negra materializam o entendimento de que a garantia do direito à memória é ato político, que ressignifica o passado e constitui elemento de transformação, influenciando o presente.
Disponível em: https://exame.com/esferabrasil/as-instituicoes-precisam-agir-contra-apagamento-historico-da-populacao-negra/
TEXTO II
Hoje é dia de celebrar toda a riqueza da cultura brasileira. A partir da contribuição de diversos povos, o Brasil produziu ao longo de sua história uma enorme diversidade de manifestações culturais. De norte a sul, de leste a oeste, as músicas, a culinária, a literatura, o folclore, o artesanato etc. expressam toda a multiplicidade cultural do nosso país.
O dia 5 de novembro foi escolhido como o Dia Nacional da Cultura em homenagem a Rui Barbosa, jurista, jornalista, político, diplomata, ensaísta e orador. Nascido em Salvador, Bahia, em 5 de novembro de 1849, Rui Barbosa desempenhou importante papel político e cultural no Brasil. Foi autor de várias obras literárias e membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
O acervo do Arquivo Nacional contém documentos que registram toda a riqueza e diversidade cultural brasileira. Para celebrar a data, apresentamos uma pequena seleção de imagens que mostram algumas manifestações culturais existentes em nosso país. As fotos fazem parte dos fundos Correio da Manhã (PH) e Agência Nacional (EH).

1. Bate-pau, dança tradicional mato-grossense, 1972. BR_RJANRIO_PH_0_FOT_01545_002

2. Cerimônia indígena na região do Xingu, década de 1960. BR_RJANRIO_PH_0_FOT_04445_034

3. Dança tradicional gaúcha, 1968. BR_RJANRIO_PH_0_FOT_02736_070
Disponível em: https://www.gov.br/arquivonacional/pt-br/canais_atendimento/imprensa/copy_of_noticias/dia-nacional-da-cultura
PROPOSTA
Com base nos textos de apoio, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “Apagamento cultural no Brasil”, tendo em vista os seguintes aspectos:
• Redija seu texto obedecendo a modalidade culta da língua portuguesa;
• utilize argumentos e fatos para fundamentar seu ponto de vista;
• consulte seu edital para dissertar de acordo com o número de linhas exijido pela banca avaliadora; e
• dê um título ao texto, caso essa seja uma exigência do seu edital.
